21ª Feira da Música Ceará Fortaleza da Música

13 à 16 de maio

Estamos todos acelerados. Parece que o tempo escorre pelas mãos. Mas existe um antídoto para a pressa: o encontro.

É hora de viver o Tempo da Música na Fortaleza dos Sons.

De 13 a 16 de maio.

Fortaleza vive hoje um momento singular. Uma cidade onde talento artístico, capacidade de inovação e crescimento do mercado começam a convergir de maneira mais estruturada. Registrar esse momento e transformá-lo em estratégia é uma oportunidade histórica. Um plano para o setor musical não apenas organiza o presente — ele cria as condições para que a música produzida na cidade continue crescendo, gerando trabalho, renda, identidade cultural e projeção para Fortaleza nas próximas décadas.

Ivan Ferraro –  Presidente da PRODISC

Leia o manifesto completo de Ivan Ferraro, Presidente PRODISC

Nas últimas décadas, a cidade de Fortaleza vem consolidando uma posição cada vez mais relevante no cenário da indústria musical brasileira. O que historicamente foi reconhecido como um território de intensa produção artística e diversidade cultural passa, agora, a se afirmar também como um polo estratégico de negócios da música no país. Esse movimento é resultado de uma combinação de fatores: o fortalecimento da economia criativa local, a profissionalização de artistas e produtores e a crescente presença de empresas e organizações da cadeia produtiva da música na cidade.

A capital cearense sempre teve uma relação profunda com a música. Ao longo de décadas, diferentes movimentos e gerações de artistas ajudaram a construir uma identidade sonora própria, que dialoga com gêneros como o forró, o pop, o rock, o rap e a música eletrônica. Nos últimos anos, porém, esse potencial criativo passou a se articular de forma mais estruturada com o mercado. Fortaleza tornou-se um centro de produção, circulação e exportação de música, reunindo artistas de grande alcance, equipes técnicas qualificadas e empresas que operam em escala nacional e internacional. A cidade abriga uma indústria particularmente forte no segmento do forró, do piseiro, do trap, que movimenta um mercado de bilhões de reais e projeta artistas locais para todo o país.

Um dos sinais mais claros dessa transformação é o surgimento e fortalecimento de estruturas empresariais ligadas à música. Iniciativas locais como a 30 PRAUM, fundada pelo artista e empresário Matuê, exemplificam esse novo momento ao reunir produção fonográfica, gestão de carreira, marketing e eventos dentro de uma mesma estrutura, contribuindo para profissionalizar a cena musical e ampliar sua projeção nacional.

Ao mesmo tempo, grandes empresas do setor vêm reconhecendo o potencial estratégico da cidade. A abertura de novos escritórios e estruturas de gestão artística, como a SUA MÚSICA instalada em Fortaleza já a alguns anos, ou a expansão do Alma Music Group com a criação da unidade Alma Nordeste em Fortaleza, outro exemplo é também a chegada da UBC Fortaleza – União Brasileira de Compositores – associação de gestão coletiva de direitos autorais. Tudo isso sinaliza a importância crescente da capital cearense como hub para descoberta de talentos, produção fonográfica e articulação de carreiras no Norte e Nordeste do Brasil.

Esse cenário é impulsionado também pela realização de eventos e plataformas de mercado que aproximam artistas, empresas e profissionais da cadeia produtiva da música. Iniciativas ligadas às indústrias criativas e festivais com rodadas de negócios e showcases fortalecem o intercâmbio entre produtores, programadores, investidores e agentes culturais, ampliando as oportunidades para a música produzida na cidade e na região.

Nesse contexto, torna-se igualmente fundamental o fortalecimento de programas e projetos institucionais capazes de estruturar e sustentar esse desenvolvimento ao longo do tempo, como a Escola Porto Iracema, o Hub Cultural e o Centro Cultural Belchior. Iniciativas que integrem formação, fruição e qualificação profissional desempenham um papel decisivo na consolidação do setor, criando pontes entre o aprendizado artístico, o desenvolvimento de competências técnicas e a inserção efetiva no mercado. Ao articular processos de formação com experiências de palco, estúdio e circulação, esses programas contribuem para conectar jovens artistas, produtores e técnicos às dinâmicas reais da cadeia produtiva da música. Dessa forma, ampliam-se as possibilidades de criação, produção, difusão e circulação da música local, fortalecendo tanto o ambiente cultural quanto o ecossistema econômico que sustenta a indústria musical na cidade.

Além disso, o contexto nacional também favorece esse movimento. A indústria musical brasileira vive um ciclo de expansão impulsionado pelo streaming e pela transformação digital, que ampliaram o acesso à produção musical e criaram novas formas de monetização para artistas e empresas do setor. O Brasil figura entre os maiores mercados fonográficos do mundo e tem registrado crescimento consistente nos últimos anos.

Diante desse momento de expansão e consolidação, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de um olhar estratégico para o desenvolvimento do setor musical em Fortaleza. O crescimento espontâneo da atividade, embora positivo, precisa ser acompanhado por políticas, articulações institucionais e iniciativas de planejamento que permitam organizar melhor a cadeia produtiva, fortalecer os profissionais locais e ampliar o impacto econômico e cultural da música na cidade.

Nesse sentido, a construção de um plano estratégico para o setor musical de Fortaleza surge como um passo fundamental. Mais do que orientar ações pontuais, um plano desse tipo pode articular os diversos agentes do setor, organizar informações, estimular oportunidades de desenvolvimento e fortalecer a música como vetor cultural, social e econômico da cidade e ainda fortalecer as redes de colaboração entre artistas, empresas, instituições e poder público.

Fortaleza vive hoje um momento singular. Uma cidade onde talento artístico, capacidade de inovação e crescimento do mercado começam a convergir de maneira mais estruturada. Registrar esse momento e transformá-lo em estratégia é uma oportunidade histórica. Um plano para o setor musical não apenas organiza o presente — ele cria as condições para que a música produzida na cidade continue crescendo, gerando trabalho, renda, identidade cultural e projeção para Fortaleza nas próximas décadas.

Essa iniciativa nasce da observação de anos de atuação no cenário musical cearense e nacional e dos inúmeros debates e encontros ocorridos para falar de música e mercado  pelas diversas iniciativas e instituições que contribuem com o tema.

Ivan Ferraro – Manifesto Feira da Música 2026.